Inconsciente Coletivo



Inconsciente ColetivoNascido na suíça em 1885, Carl Jung é comumente considerado como um dos precursores da psicologia e da psicologia analítica. Em 1906, provou através de experiências a existência do inconsciente e este feito o levou a trabalhar junto a Sigmund Freud. Foi então que, a partir de 1913, passou a ser um dissidente de Freud devido a discordar do excessivo uso do caráter sexual, com libido e incesto. A ele, Jung deve este conceito de inconsciente coletivo, que representa os fundamentos culturais do psiquismo individual.

Inconsciente Coletivo:

Jung resolve abandonar a ideia de que as partes de nossa mente, consciente e inconsciente, são originárias da experiência. Ele afirma que a mente herda as experiências não apenas do individuo, mas também da coletividade. A maneira como a mente recebe as informações será definidora da forma como o ser lidará com as experiências ao longo da vida. Logo o homem tem relação direta com o seu próprio passado como indivíduo e também com o passado de sua espécie.




Definição de inconsciente coletivo:

São as imagens primordiais que estão ligadas ao primeiro nível da psique.

Essas imagens nos são repassadas por nossos predecessores, não apenas os humanos vindos antes de nós, mas também os animais irracionais. Possuímos determinadas formas de responder aos mais variados estímulos de maneira semelhante a nossos antepassados, contudo não conseguimos acessas as lembranças de nossos antepassados porque o inconsciente coletivo é semelhante ao inconsciente pessoal (este inconsciente refere-se à parte de nossa mente na qual fica a memória que anteriormente era consciente). As imagens primordiais gravadas deste primeiro nível da psique definirão padrões de comportamento os quais serão seguidos pela pessoa desde seu nascimento.

Afinal, qual o caminho seguido por Jung para chegar até a ideia de inconsciente coletivo?

Para Jung eram dois os tipos de mente inconsciente, relativamente em um nível abaixo da consciência estaria o inconsciente pessoal, no qual todas as experiências, impulsos, percepções eliminadas ou apenas esquecidas estariam. Por não estarem distantes, as experiências guardadas em nosso inconsciente pessoal podem muito bem, a partir de algum estímulo, voltarem ao consciente.

Tudo o que há guardado em nosso inconsciente pessoal está, por sua vez, dividido em complexos que são aglomerações de sentimentos e lembranças os quais possuem grande potencial afetivo, no entanto não são compatíveis com a atitude consciente. As experiências tocam em nossos complexos e podem ocasionar reações exageradas em muitas pessoas, o complexo pode até mesmo ser uma questão patológica.




Os complexos são então, tais quais personagens autônomas e espaçadas de nossa personalidade principal e por este motivo, muitas vezes, há quem diga “uma pessoa não tem um complexo: o complexo é que a tem”, não conseguimos perceber isto, quem possui tal capacidade são as pessoas que nos cercam afinal elas conseguem perceber como determinado estímulo pode nos atingir. Pode ser uma música, um cheiro ou até mesmo uma palavra e quando a pessoa dá por si já está em um estado destoante daquele o qual ela mesma considera normal.

É então, após perceber a existência dos complexos, que Jung descobre o outro tipo de mente inconsciente, o Inconsciente Coletivo, ele passa algo até então existente apenas no âmbito particular e o universaliza, daí essa universalização é, como já dito, chamada de inconsciente coletivo.

Inserido no inconsciente coletivo: Arquétipos

Às tendências guardadas dentro do inconsciente coletivo Jung dá o nome de arquétipos, e consistem em elementos inatos os quais farão com que o individuo tenha um comportamento semelhante ao dos seus ancestrais.

Temos contato com a concretização do arquétipo quando lidamos com emoções que são consideravelmente intensas e ligadas aos momentos mais importantes de nossa vida, tais como puberdade, o casamento e momentos relacionados à grande perigo, ou seja, em momentos como os citados o indivíduo teria uma reação similar àquela tida pelo ancestral de mais de mil anos. Jung costumava chamar os arquétipos de divindades do inconsciente.

Grande parte da percepção a respeito dos arquétipos veio ao encontro de Jung quando este pesquisava a respeito das expressões de arte nas mais antigas civilizações. Nelas ele descobriu arquétipos comuns, ainda que houvesse grande intervalo de tempo e/ou espaço e nenhuma aparente influência entre os povos.


Outro local onde Jung encontrou os mesmos arquétipos presentes em civilizações antigas foi em sonhos descritos por seus pacientes. Estes sonhos e a pesquisa quanto aos arquétipos em povos antigos apenas corroboram para o conceito de inconsciente coletivo.

Arquétipos que mais ocorrem:

  • Persona: É a capacidade que o indivíduo possui em aparecer para os outros da maneira como quer aparecer. Através desta definição podemos perceber que o primeiro contato pode não demonstrar aquilo o que o individuo é realmente.
  • Anima e Animus: Tem relação com o fato de cada indivíduo possuir características pertencentes ao sexo oposto. Homens com comportamento tido como prioritariamente feminino e mulheres com alguma característica tidas como masculina. Bem como os demais arquétipos este surgiu há muito tempo, quando homens e mulheres adotavam comportamentos emocionais uns dos outros.
  • Sombra: Este é o mais obscuro dos arquétipos, para Jung ele advém da parte animalesca de nossa personalidade. Seria então herdado de formas irracionais de vida. Este arquétipo armazena os desejos mais vis, como a violência e a imoralidade. Ele força-nos a um comportamento o qual, se pudéssemos, não escolheríamos ter.

Quando cedemos à sombra tendemos a, para nos eximirmos da culpa, afirmar ter sido nosso comportamento gerado por algum agravante externo; afinal não sabemos que este fator na verdade não é exterior e sim está na parte mais primitiva de nossa natureza, portanto é interno.

Embora advenha da parte animalesca, a sombra também possui uma parte boa: ela é responsável pela criatividade e emoção profunda – papéis imprescindíveis quando se trata do desenvolvimento psico-cognitivo do indivíduo.

  • Self: Para Jung este é o arquétipo mais importante, ele é responsável por manter em equilíbrio todas as aparências do inconsciente. É ele quem proporciona a unidade e manutenção da personalidade do indivíduo. O Self era considerado por Jung uma vontade de auto-preservação para, assim, o indivíduo atingir a plenitude e total desenvolvimento de suas habilidades particulares.

Muito embora o arquétipo Self remeta a uma auto-preservação e consequentemente às nossas melhores habilidades, Jung acreditava que o homem atinge o ápice de sua habilidade por volta dos 30 e 40 anos, este período seria definitivo para a formação da personalidade. Jung escolhe essa idade como ápice porque esse seria o período no qual, naturalmente, o ser humano passa por diversas experiências necessárias. Neste ponto temos possibilidade de perceber a distância tomada em relação à teoria freudiana, pois nela o individuo tem a infância como a época mais importante para formação de sua personalidade.

Quanto a este caráter dissidente entre Freud e Jung, as próprias experiências deste o levaram a formação da psicologia analítica, na qual deve haver aceitação da própria mente inconsciente, a qual serviria para fundamentar vários dos interesses futuros de Jung. Outro fator que leva Jung a discordar de Freud sobre o inconsciente coletivo é quanto ao sexo: para ele não havia como pensar no complexo de Édipo tendo em vista nunca ter sentido atração por sua mãe, afinal ela não era nenhum pouco atraente.  Jung afirmava que nunca entenderia o fato de Freud dizer que garotos desenvolvem paixões sexuais por suas mães.




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