Brasil quer importar mão de obra



    O Brasil vai abrir as portas para 6 milhões de estrangeiros nos próximos anos, de acordo com informações da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) do Governo Federal. Atuando com especialistas e consultorias de mercado, a ideia do órgão é fomentar uma política de atração de profissionais com mão de obra qualificada. Segundo o ministro-chefe interino, Marcelo Neri, essa expectativa ainda será concretizada, mas já é uma meta governamental. Na opinião dele, os imigrantes qualificados formam o foco de atenção.

    A quantidade planejada foi resultado de pesquisas feitas com empresas e público em geral. De acordo com Neri, o Brasil tem a menor proporção de imigrantes na população, com 0,2% do total. Com a entrada de seis milhões nos próximos anos, esta quantidade pode chegar a 3%.




    Áreas como engenharia e saúde são as mais necessitadas

    Brasil quer importar mão de obraNeri afirma que esta quantidade de profissionais altamente qualificados será destinada às áreas de engenharia e saúde, que estão precisando bastante. Por outro lado, sindicatos brasileiros temem que esta ação possa atrapalhar os profissionais daqui. De acordo com as representações de trabalhadores, em quantidade, o Brasil já possui os profissionais, mas estes carecem de melhor tratamento e qualificação. O ministro-chefe diz que a proposta governamental é atrair profissionais que possam agregar conhecimento aos que já existem aqui.

    Um estudo feito pela Brasil Investimentos e Negócios (Brain), uma empresa que realiza levantamentos a respeito do ingresso do Brasil no mercado internacional e auxilia a secretaria, afirma que medicina, engenharia civil, engenharia química e arquitetura são as áreas mais que precisam de mais profissionais dos que os que já existem.

    Na opinião do analista da Brain, André Luiz Sacconato, independente do que for feito na educação ou nas políticas públicas, tudo só será sentido daqui a muitos anos. Para ele, realmente há uma lacuna a ser preenchida no Brasil e os estrangeiros poderiam supri-la. Segundo Brain, a entrada de imigrantes traria empregos para os brasileiros. Para ilustrar a situação, ele diz que existem obras paradas porque não há no mercado engenheiros civis qualificados. Se tivesse colocado um profissional deste, seria necessário então tocar a obra e contratar mestres de obras e outros profissionais. Na sua opinião, são ocupações que se complementam.

    De acordo com o ministro-chefe, a medicina tem carência de profissionais qualificados, mas o presidente da Federação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira, contesta. Ele diz que a quantidade de médicos no Brasil, aproximadamente 1,9 médico para cada mil pessoas, é o suficiente para o atendimento ao mercado, desde que sejam criadas melhores maneiras de distribuição desses médicos e ainda e planos de carreira no setor público. Ele diz que a presidente Dilma Rousseff está querendo aumentar o número para 2,4 médicos para cada mil pessoas e neste sentido, hoje realmente faltariam médicos. Porém se a proposta é chegar a tal meta no ano de 2020, a avaliação da federação é distinta da realizada pelo governo: a de importar médicos.

    Apagão de mão de obra

    Especialistas normalmente usam o termo “apagão de mão de obra” para designar uma suposta escassez de profissionais altamente qualificados no Brasil. Segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos 2012 da consultoria internacional Manpower Group, o país é o segundo do mundo em grau de dificuldade para ocupar postos de trabalho que exigem alta qualificação, ficando atrás do Japão. Empresários afirmam que os motivos para o entrave seriam a falta de candidatos disponíveis e de especialização.




    Em contrapartida, no ano de 2011 já havia sido feito um levantamento pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que revelou que não existe um “apagão” no topo da pirâmide de profissionais do Brasil. Segundo a pesquisa, a tal escassez está na mão de obra quase em qualificação, onde os salários estão cada vez maiores. O ministro-chefe, que também é presidente do Ipea, confirma estes dados, mas ele acrescenta que ultimamente áreas especializadas deram sinais de que estão precisando de gente qualificada e que a demanda interna não dá conta disso frente ao crescimento do Brasil. Na verdade, não haveria então um “apagão” de mão de obra qualificada, mas sim, um começo de uma situação como essa.

    Muitas opiniões diferentes

    De acordo com o Ministério do Trabalho e empresas de consultoria, a maioria dos imigrantes consegue o visto de trabalho para atuarem na extração de petróleo e construção civil, contudo o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros, Murilo Pinheiro, coloca em xeque este argumento de que faltam engenheiros civis brasileiros para suprir as necessidades.

    O presidente da Federação Nacional dos Arquitetos, Jeferson Salazar, diz que mesmo com tamanha demanda, o setor público não é capaz de reter a quantidade de profissionais que chegam ao mercado todos os anos, aproximadamente sete mil deles. Ele diz que a quantidade de escolas aumentou seis vezes nos últimos 25 anos e que há muitos arquitetos sem emprego ou com subemprego, sem qualquer plano governamental para eles exercerem suas funções. Mesmo assim, ele é a favor da vinda de alguns mais qualificados para auxiliarem a arquitetura brasileira e se desenvolver mais.

    Como os estrangeiros seriam atraídos

    A forma de atrair os estrangeiros qualificados para atuar no país seria por meio de um sistema de pontos, bastante usado por países como Austrália, Canadá e Grã-Bretanha. Ele funciona da seguinte maneira: faz a conferência de quantidades diferentes de pontos às respostas do potencial imigrante em um questionário.

    O analista da Brain afirma que tal procedimento pode ser uma alternativa que vai beneficiar empresas e ainda proteger o trabalhador brasileiro, pois limita o ingresso ao profissional que realmente precisa, já que é possível dar poucos pontos para certas carreiras, idades ou experiências que não são o objetivo do Brasil.


    O ministro Marcelo Neri afirma que a secretaria não pretende criar uma lista de profissionais como também ocorre nestes países paralelamente ao sistema de pontos.

    Tornar o processo de obtenção do visto de trabalho para o Brasil mais rápido é um dos focos da secretaria. Segundo Brain, são exigidos 19 documentos diferentes e a espera pela emissão é de 45 dias em média, contra 15 dias na Grã-Bretanha e 21 na Austrália. Hoje em dia, os vistos de trabalho para o Brasil são ligados à contratação por uma empresa que esteja com operações aqui. No ano de 2012, mais de 73 mil vistos foram concedidos.

    Título: Governo quer trazer 6 milhões de estrangeiros para trabalhar no Brasil
    Veículo: Terra
    Autor: Camilla Costa
    Data: 22/04/2013




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